Um videojogo para lutar contra a violência de género

A violência de género continua a ser uma das grandes trágicas realidades da nossa sociedade. Um problema que também afeta as relações sentimentais desde a adolescência. Precisamente o objetivo a conscientizar os mais jovens sobre o problema de todo o tipo de violência no âmbito do casal, foi o que levou à iniciativa, em Espanha, da criação do videojogo “Diana em frente ao espelho”, um projeto inovador e diferente, iniciativa da Área de Igualdade da Câmara Municipal de Málaga, em colaboração com a Universidade de Málaga e com o financiamento do Ministério de Igualde.

Com o objetivo de chegar a um público digital, a chamada “Geração Z”, a tecnologia também pode servir, como acontece neste caso, para combater a violência machista a partir de um trabalho didático e de prevenção que alcance todos os seus níveis, seja psicológica, de controlo, verbal ou física. “Diana em frente ao espelho” é um role play para PC no qual a protagonista, Diana, deve enfrentar diversas situações de violência de género provocadas por Leo, o rapaz por quem está apaixonada e outras situações colaterais e relacionadas que a levam a questionar-se sobre o seu melhor amigo, Chico e a sua namorada, Bia.

O principal propósito do videojogo é que o jogador se ponha na pele de Diana e controle as suas decisões diárias em relação às situações de violência machista que vive. Depois de escolher a opção a tomar, a história segue o seu curso em função dessa escolha, podendo também, obviamente, mudar o hipotético final da história.

É precisamente esse processo de decisão que vai recebendo pontuação relativamente à resolução final, estando à disposição do jogador um sistema de ajuda que lhe permite consultar diretamente um especialista antes de tomar cada decisão. Ao terminar o jogo aparecem os pontos obtidos e uma cor que indica o risco de sofrer violência de género com a respetiva explicação.

“Diana em frente ao espelho” desenvolve-se num contexto em 3D, interativo e com atores reais. Uma característica, esta última, que consegue gerar uma maior empatia entre os jogadores e que ajuda a compreender quão duro e difícil pode ser tomar certas decisões quando se sofre violência de género, já que reflete muito bem na sua ficção todo o tipo de situações complexas e perigosas para as vítimas de violência machista, especialmente nestas idades. Situações que inclusivamente podem pôr em perigo as suas vidas.

É verdade que o jogo pode parecer algo cru nalgumas fases, de facto, o seu tom e a sua imagem estão ideados para transmitir tal sensação, mas também é entretido e, sobretudo, muito didático. É capaz de despertar consciências e de prevenir alguns comportamentos que possam levar à violência machista, como por exemplo, os ciúmes ou relações tóxicas. E fá-lo através de uma ferramenta multimédia enfocada 100% para os jovens, especialmente para as mulheres adolescentes, para que compreendam a importância de um problema tão sério e que lhes pode afetar diretamente, até sem terem consciência disso.