As 5 técnicas de estudo mais eficazes

A função executiva do cérebro reside no córtex pré-frontal, no qual se planificam, regulam e iniciam as diferentes ações. Esta área controla a memória de trabalho, a atenção e a inibição das respostas. Para que os estímulos exteriores sejam percebidos de forma correta e processados adequadamente devem-se ativar os mecanismos que garantem a correta atenção.

Três sistemas anatómicos e funcionais trabalham de forma independente, mas inter-relacionada para executar os processos de orientação, seleção, vigilância ou controlo. O Sistema de Ativação Reticular é o responsável pela atenção básica ou primária, associada ao componente de vigilância. Consiste na capacidade para manter a atenção consciente ou sustentada durante tempos prolongados.

O Sistema Ativador Reticular Ascendente (SARA), refere-se à atenção localizada ou seletiva, dirigida à atenção deliberada ou executiva, à seleção da ação. Ocupa-se do processo de escolher e hierarquizar os estímulos distrativos, selecionando aquele que considera meta ou objetivo e dissuadindo os inibidos de concentração que categoriza como desnecessários.

Por último, o Sistema Ativador Reticular Descendente (SARD), concentra-se em gerir a informação interna. Este processamento informativo, reflexivo e voluntário, tem a capacidade de reter, deter temporalmente e retomar a informação armazenada, depois de realizar tarefas independentes ao processo de retenção.

Constantemente recebemos estímulos de forma simultânea, devendo ignorar aqueles que assumimos como distrativos e atendendo aos que ajudam a alcançar os nossos objetivos e metas. A atenção era considerada um mecanismo de processamento de informação, passando posteriormente a ser o processo central que controla os sistemas de processamento supra explicados.

Dentro do estudo do desenvolvimento atencional, deve-se ter em conta a plasticidade cerebral, referente às conexões que possibilitam a aprendizagem. O desenvolvimento das redes atencionais está influenciado por fatores genéticos aos quais se somam outros de tipo culturais ou experimentais. Por isso, o controlo atencional inclui, dentro do leque da aprendizagem escolar ou académica, o desenvolvimento socio-emocional e o treino da inteligência e, inclusive, o desenvolvimento da personalidade na infância.

O cérebro é o sistema mais complexo do ser humano. O exercício e desenvolvimento da capacidade cerebral realiza-se através de um processo paulatino e evolutivo. A aprendizagem é uma das funções que o cérebro deve garantir e desempenhar de forma correta. Para o efeito, devem intervir a atenção e a memória, trabalhando de forma coordenada.

Os milhões de neurónios que alberga este órgão são as unidades que recebem, transportam e conectam a informação no processo conhecido como sinapse. No processo de aprendizagem, a informação visual ou auditiva que recebemos é enviada ao cérebro, sendo este o responsável das tarefas referentes à atenção, a reflexão, o juízo e a memorização do que é recolhido.

Existem técnicas e métodos que ajudam tanto ao cérebro como à nossa capacidade de atenção, concentração e retentiva no processo de estudo, que se podem aplicar em todos os níveis ou matérias de ensino e melhorando o rendimento na aprendizagem dos alunos. Revendo as 5 que demonstraram ser mais eficazes.

Método Cornell

Trata-se de uma técnica que propõe tirar apontamentos de forma eficaz durante a aula. A pesar de que a presencialidade não seja a principal tendência formativa atual, esta técnica também pode ser muito útil para manter a atenção em sessões online. Propõe dividir a informação para que o aluno a vá recolhendo e organizando em quatro secções diferenciadas: título, notas de aulas, ideias principais e resumo.

A ideia é que se completem de forma simultânea à explicação, hierarquizando e acrescentando aqueles dados que sejam mais relevantes. A forma modelo de dispor as secções na folha seria colocando o título na margem superior e deixando cerca de 5 centímetros na zona inferior do papel para situar a secção do resumo. O espaço restante deve ser dividido em dois, com uma linha vertical perpendicular aos anteriores, situando no lado esquerdo as palavras-chave e à direita as notas da aula, ocupando um e dois terços da folha, respetivamente.

Esta técnica é muito eficaz para facilitar a localização de informação numa vista de olhos e recordar de forma muito visual aquilo que foi explicado em cada sessão. A síntese da informação que aparece na parte inferior de cada ficha, vai-te obrigar a resumir a aula, priorizando e ordenando as ideias mais importantes. Assim, além de favorecer a escuta ativa, o Método Cornell ajuda a manter a concentração, classificar a informação e rever os apontamentos no fim da aula, obtendo um resultado eficaz e visual para o seu estudo em profundidade ou revisão.

Método Pomodoro

Certamente já ouviste falar desta técnica de estudo. Neste caso, concentra-se na organização e gestão, tanto dos tempos de estudo como os de descanso. Esta organização de tarefas aborda um estudo mais consciente e uma otimização do tempo utilizado em estudar e em descontrair. Para o efeito, faz-se uma estruturação de períodos temporais que sempre estão afastados de qualquer distração.

Quando estiveres preparado para começar, é recomendável seguir uma lista de tarefas que inclua os objetivos da sessão, a qual deve ser elaborada previamente. Quando estiveres preparado, podes dar o “tiro de partida” ativando o teu cronómetro. A técnica propõe períodos de 25 minutos, aos  quais se chama “pomodoros”, que serão os destinados ao estudos, aos quais se seguem de 5 minutos de descanso. Quando se completem 4 pomodoros, com as suas correspondentes pausas para desconectar, deves fazer uma desconexão de 20-30 minutos. As propostas de evasão são dar um passeio, tomar um café ou conversar com alguém.  Desaconselha-se completamente utilizar este período para visitar redes sociais ou distrair-se com o telemóvel.

Este método Pomodoro é muito útil para alcançar níveis altos de produtividade em matérias densas e teóricas, mas não recomendável para matérias que requeiram criatividade ou desenvolver pensamentos mais abstratos. Podes encontrar diferentes webs e apps para pôr em prática esta técnica com, por exemplo, https://tomato-timer.com/  ou https://apps.apple.com/us/app/be-focused-focus-timer/id973134470?mt=12

Método Loci ou Palácio da Memória

Trata-se de uma técnica de memorização. Funciona por mecanismos de associação e visualização, através dos quais se deve relacionar a informação que se quer aprender e reter com outros objetos que se conhecem, utilizando uma determinada ordem.  Propões criar na imaginação um palácio divido em estâncias cheias de objetos com os quais se vincula a informação. Para conseguir uma eficácia maior, recomendam relacioná-las com um lugar real, para facilitar a memorização dos elementos. É uma técnica muito eficaz em etapas de aprendizagem infantil, mas também pode ser utilizada por adultos. A sua prática requer memorizar as associações entre o conteúdo académico e objeto para, depois, ser capaz de recordar onde se “colocou” e a relação que tem com outros elementos do contexto.

É um método muito útil para contextos hierarquizados e divididos em secções muito visuais. Pode-se praticar esta técnica em situações quotidianas para se familiarizar com o seu manejo e memorização, começando com a lista das compras, por exemplo.

Método Feyman

Esta técnica de retenção de conteúdos divide-se em quatro fases, nas quais pouco a pouco o cérebro vai assimilando e armazenando a informação. No primeiro passo, o aluno deve escolher e dar um título ao tema de estudo que dispõe a aprender, escrevendo-o numa folha e o qual desenvolverá com a linguagem mais simples possível, incluindo também datas, palavras-chave, esquemas.

Posteriormente, é recomendável expor o tema em voz alta, a ti mesmo ou a outra pessoa, para otimizar a sua compreensão e memorização, mas também para descobrir que conteúdos não sabes ou não compreendes. O terceiro passo consiste em completar o teu rascunho com toda a informação que identificaste que falta e procurar novos dados relevantes que podes incluir.

Finalmente, deves voltar a escrever as notas, acabar de as aperfeiçoar e voltar a lê-las em alto.  É uma tarefa tediosa, mas muito eficaz porque garante a compreensão do objeto de estudo e a sua memorização graças às repetições escritas e orais dos conteúdos. O esforço de transformar a informação em apontamentos traduzidos à linguagem simples ajuda a assimilá-los de forma efetiva e real.

Método SQ3R ou Robinson

O conhecido como método Robinson pretende otimizar os tempos de estudo de forma eficaz. A sigla SQ3R refere-se a cada fases da sua estrutura: survey (explorar), question (perguntar), real (ler), recite, (recitar) e review (rever).

A exploração consiste numa leitura superficial da qual se extrai uma primeira ideia e um contexto geral do conteúdo. A seguinte fase está pensada para que o estudante aponte as perguntas que lhe surgiram no passo anterior, desde uma perspetiva crítica deve analisar que conceitos conhece ou se está cómodo com o vocabulário, por exemplo. Na terceira etapa, deve-se submergir numa leitura compreensiva e profunda do tema, para começar a reestruturar o mesmo por meio do sublinhado, num esquema ou num resumo. Posteriormente, o aluno deve-se recitar a si mesmo em voz alta todas as ideias, definições e conteúdos de que se lembre. A última etapa deste método consiste em rever tudo o que se aprendeu durante as horas, dias e, inclusive, semanas posteriores, aproveitando os apontamentos feitos e conteúdos aprendidos.

Este método de estudo, no seu aperfeiçoamento ao longo dos anos, acrescentou mais dois “R”: o registo dos conceitos mais importantes para focalizar e localizar informação e a reflexão dos conhecimentos adquiridos, sobre os quais se devem fazer juízos de valor para otimizar a sua assimilação e retenção.